TAXA DE BOCADO E PADRÕES DE DESLOCAMENTO DURANTE O REBAIXAMENTO DE PASTOS DE CAPIM-ZURI SUBMETIDOS A DIFERENTES FREQUÊNCIAS DE PASTEJO
21 de março de 2024
A produção animal em pasto é dependente da eficiência do processo de pastejo. Os animais em pastejo utilizam de sua capacidade de selecionar plantas e componentes morfológicos que otimizam a ingestão de nutrientes. Estratégias de manejo de pastagens baseadas em frequências de pastejo podem alterar as respostas comportamentais dos animais em pastejo. Objetivou-se avaliar a taxa de bocados e o número de passos entre estações durante o rebaixamento de pastos de capim-zuri, submetido a quatro níveis de interceptação de luz (IL): 80, 85, 90 e 95 %. O experimento foi realizado na Embrapa Gado de Corte, Campo Grande, MS. As avaliações foram realizadas no verão (dezembro-março) de 2022. Utilizou-se delineamento experimental em blocos casualizados, com quatro repetições representados pelos níveis de IL no pré-pastejo. Os pastos foram manejados sob lotação intermitente com uso da técnica de pastejo Mob grazing e a intensidade de pastejo foi mantida fixa em 50% da altura de entrada. A estimativa de IL foi realizada utilizando o aparelho analisador de dossel (AccuPAR Linear PAR/LAI ceptometer, Model PAR – 80; DECAGON Devices), em 10 pontos representativos do piquete. Os animais entravam nos piquetes às 08:00 horas da manhã e saiam no dia seguinte quando atingissem a meta de altura do pós-pastejo estipulada para cada tratamento. Foram escolhidos dois animais testes por piquete e estes foram avaliados duas vezes durante as primeiras 4 horas de ocupação. Foram contabilizados a taxa de bocados (TB) e o número de passos entre estações (PEE). Estes dados foram analisados por meio de análise de regressão, utilizando o software estatístico Sisvar. A TB apresentou comportamento linear decrescente (R2= 0,93), em função do aumento na IL com diminuição de 4,74 segundos a cada incremento no nível de IL (p<0,05), passando de 65,2 em 80% de IL para 25,4 bocados/minuto em 95% de IL. A variável PEE apresentou comportamento quadrático (R2= 0,63), onde, nos menores níveis de IL (80 e 85%), observaram-se os maiores valores de PEE (2,3 e 2,2 passos entre estações), com ponto de mínima no nível de 90% de IL (1,1 passos entre estações), e posteriormente houve aumento do PEE no nível de IL de 95% (1,6 passos por estações). A diminuição na TB e a diminuição no número de PEE, à medida que aumentou a IL podem ser indicativos da presença de maior densidade volumétrica de forragem nos pastos de maior IL. O nível de IL altera a forma de exploração do dossel forrageiro pelos animais. Associar a taxa de bocado com a frequência de pastejo permite inferir que pastos manejados com as ILs de 90 e 95% resultam em um pasto com maior massa de forragem sendo removida a cada bocado.