EFEITO DA UTILIZAÇÃO DE DIFERENTES ALIMENTOS PROTEICOS NA CAPACIDADE TAMPÃO DE SILAGENS DE DIETA TOTAL
22 de março de 2024
O oferecimento de silagens de dieta total (SDT) tem sido adotado na alimentação de bovinos de corte, propiciando uma maior homogeneidade da ração, menor seletividade pelo animal e otimização da mão-de-obra. A SDT consiste em ensilar toda a dieta que será ofertada para o animal. Porém, a capacidade tampão do material ensilado deve ser levada em consideração por se tratar da resistência do material à mudança de pH durante a ensilagem. O íon nitrogênio, presente em grandes quantidades nos alimentos proteicos, faz ligação com o íon hidrogênio (H+) produzido durante a fermentação, dificultando a queda de pH, pela diminuição da concentração de H+ no meio. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar a capacidade de tamponamento em SDT com diferentes alimentos proteicos. As dietas foram formuladas com capim BRS Capiaçu, fubá de milho, sal branco, núcleo mineral e um dos alimentos protéicos (farelo de amendoim, farelo de soja e resíduo seco de destilaria de milho (DDG). As dietas tinham relação concentrado:volumoso de 50:50 e 14% de proteína bruta. Em cada silo experimental foram armazenados 0,5 kg de dieta, sendo estes vedados e armazenados na ausência de luz. No momento da ensilagem e após 4, 8, 12, 16, 20, 24, 32, 40, 48 e 60 horas da ensilagem, os silos experimentais foram abertos para mensuração de pH. A partir da massa inicial e no momento da abertura foram calculadas as perdas por volatilização. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, com 4 repetições e 11 tempos. Os dados foram submetidos à análise de variância (α = 0,05). O tratamento com DDG apresentou nas primeiras 4 horas de ensilado uma queda de 0,9 unidades de pH, sendo esta menor (P<0,001) que os demais tratamentos. Até 32 horas, o tratamento com DDG apresentou uma queda mais acentuada de pH, se mantendo menor (P<0,001) que os demais. A partir de 32 horas, o pH de todos os tratamentos estabilizaram-se (P>0,05) em 4,0. Nas primeiras 4 horas de ensilado o tratamento com DDG apresentou maiores (P<0,010) perdas por volatilização quando comparado ao com farelo de amendoim e com farelo de soja, mas nas 60 horas de avaliação foi o tratamento com menores (P<0,001) perdas. Os tratamentos com farelo de amendoim e farelo de soja não apresentaram (P>0,05) diferenças estatísticas entre si. Acredita-se que o fato do DDG ser um co-produto já fermentado da destilaria de milho contribui uma menor resistência ao tamponamento da SDT e menores perdas por volatilização, tornando-o o mais vantajoso alimento proteico na utilização para silagem de dieta total. A SDT com o DDG apresentou uma menor capacidade tampão o que propiciou uma queda mais acelerada de pH e menores perdas por volatilização em relação às com farelo de amendoim e farelo de soja.